Tudo começou com notícia do despejo da Universidade São Marcos unidade Ipiranga, onde cursávamos Psicologia. No momento da notícia, sendo informados por um post no facebook, de uma matéria publicada na Folha de São Paulo, imediatamente me veio a mente o porque não fomos informados antes do término do ano letivo, uma vez, que segundo este jornal, a instituição foi notificada do despejo no dia 25 de novembro de 2011. Haveria tempo para fazermos a transferência para outra instituição?
O despejo aconteceu no dia 21 de dezembro de 2011 e soubemos dois dias depois pelos jornais e posts no face. Nos sentimos completamente sem chão. Para onde iremos? Onde estarão nossos documentos? Porque nos deixaram perder as provas de transferência? Porque permitiram que alguns alunos pagassem a rematrícula e emitiram boleto para rematrícula em Janeiro mesmo não tendo instalações para as aulas nem a documentação (que ainda está retida nos galpões da prefeitura)? Sem respostas a essas pergunta, eu Gisela, bem como outros alunos e uma professora, começamos a questionar a veracidade das informações, e os métodos. As mensagens solicitando calma e tranquilidade eram muitas, mas nenhuma respondendo as questões acima.
Eu, particularmente não estava desesperada. Queria somente respostas coerentes e esclarecimentos, quando o que me transmitiam era uma propaganda contra o ex Reitor, como o vilão da estória e mais e mais mensagens tranquilizadoras de todos os “otimistas de plantão”. Disso já sabíamos. Que sua família administrou a instituição por anos de forma irresponsável, nós sempre soubemos. Mas, não foi ele, o ex reitor quem “segurou” a informação, pois a instituição já estava sob intervenção desde agosto de 2011.
Por comunicado oficial da Universidade, representada pelo grupo que atuava junto com os interventores, ou seja, excluindo-se o Sr. Ernani de Paula, reitor na época, fomos informados de que uma comissão composta por interventores, diretores e coordenadores estava sendo formada para cuidarem deste problema. Na comissão que se propunha a resolver o assunto e salvar a instituição, não foram incluídos representantes dos professores, funcionários nem alunos. Esta comissão anunciou a nomeação de um reitor que eu, imediatamente solicitei a divulgação do nome, sendo informada que isso seria possível somente após o término do período de recesso do MEC. Sendo assim, não podiam chamar de nomeação e sim indicação, pois o MEC é quem tem esta autonomia.
Mais uma vez por conta desse posicionamento, eu, bem como as outras pessoas que se pronunciaram duvidando, discordando e exigindo a participação do corpo discente (reais mantenedores da instituição, incluindo o PROUNI que sai da boca de milhões de brasileiros) fomos veementemente criticados e até ofendidos por alunos e liderança do CA. Passaram a moderar o canal e chegaram a apagar informações postadas que julgaram impróprias. Por esta razão estamos aqui, levantando a discussão das “liberdades” sempre cerceadas no país que apregoa a democracia.
Pessoalmente, não acredito no lado bom das coisas, mas penso que podemos criar algo positivo de uma experiência ruim. Assim nasceu VOZES INVISÍVEIS, que ao contrário de se fechar numa tribo de cerca de 2000 alunos que compõe a Universidade São Marcos, está aberto para todos os universitários que tenham alguma experiência para compartilhar, de hoje ou de outrora, que necessitem de apoio e orientação para buscarem seus direitos e denunciarem as irregularidades que presenciam diariamente nas instituições onde estudam. Está aberto para aqueles que desejam ajudar os menos experientes, aberto para os pensadores que queiram postar suas teses cheias de indignação. Sabe porque? Porque ao menos para isso, ainda somos livres e é quase de graça. Contamos com vocês para o desenvolvimento deste canal.
Breve será postado informações da Procuradoria de Assistência Jurídica do Estado de São Paulo sobre Ação Cautelar e Ação de Reparação de danos. Aceito auxílio dos estudantes de Direito.
Um abraço,
Gisela Gusmão
Nenhum comentário:
Postar um comentário