O Assunto do despejo da universidade São Marcos
parece não ter fim. Seria simples se após despejados e após terem afastado o
Reitor Ernani, tivessem não só largado o osso, mas também o mau hábito de
enrolar as pessoas. Entretanto, o hábito transforma-se em vício.
Eu e um grupo de alunos da minha turma, na
impossibilidade de obtermos alguma resposta coerente em relação aos nossos
documentos, através da comissão (interventores, diretores e coordenadores) que
atualmente administra a Universidade, ou o que sobrou dela, fomos buscar os
nossos direitos na justiça. Como todo bom marinheiro de primeira viagem sem
recursos, iniciamos uma verdadeira saga passando pela defensoria pública até a
delegacia de polícia. Pasmem! É atitude de fim de linha mesmo. Mas, o deboche e
descaso realmente leva qualquer um a desejar colocar algumas dessas pessoas num
cubículo cheio de personagens simpáticos do filme Carandirú. Entretanto, esse
tipo de imagem não é possível nem em sonho.
A conclusão mais certa a que
chegamos é a de que realmente, no Brasil, quem decidir tornar-se mal feitor,
deve consumar algo grande; mas tão grande, que favorecendo os amigos, nunca
pague pelo mal feito.
Bem, “voilá”! Ouvimos muitas coisas negativas
sobre os serviços públicos e, nos deixando influenciar por essas
informações, desistimos de buscar os nossos direitos. Em 9 de janeiro de 2012,
eu e o Dudu (Lidielson), fomos primeiramente à Defensoria Pública do Estado
para nos informarmos a respeito dos procedimentos para exigirmos a entrega dos
nossos históricos escolares e atividades complementares bem como declarações do
PROUNI, para que pudéssemos nos matricular em outra instituição com um prejuízo
menor. Ao chegar no local, na Av. da Liberdade, 32 ( entrada pela rua ao lado),
quando ví as 7:30 um povo tomando a rua toda, quase voltei de onde estava.
Entretanto, repetindo para mim mesma: Tudo é experiência, aprendizado que me
fará crescer e ampliar a minha visão sobre o mundo. Repetia isso como um
mantra... bem, entrei na fila e nela permaneci por uns 15 min até que chegou a
minha vez de expor o problema a um senhor descendente de japoneses, muito
educado e atencioso. Não preciso dizer que nem sabia por onde começar... hum
pra lá, hum pra cá... falei! Aquela evidente prega na testa me deu o
diagnóstico que eu temia. Seria uma saga mesmo!
De posse da minha senha, no. 294 conseguida com heroísmo às 7:45, pensei: até
o sol se pôr... Nada! Logo chegou o Dudu e começamos a conversar, o tempo foi
passando e tínhamos que decidir quem entraria, pois devido ao volume de pessoas
e o espaço ser pequeno, só é permitida a entrada de um mesmo em ação coletiva.
Estava próximo da nossa vez, e qual não foi a minha surpresa quando o Dudu, de
apenas 19 anos, demonstrou que queria entrar e representar a todos. Fiquei
muito orgulhosa de ver a coragem e disposição que ele demonstrou e, concordei.
Acredito que na juventude necessitamos acumular o máximo de experiências para
forjarmos nosso caráter e entendermos melhor as pessoas. Para um aspirante a Psicólogo
é algo essencial.
Enquanto estava esperando recebi a visita de outro colega da
classe, o Edu, que foi nos dar apoio. Realmente, é uma pena que essa turma
tenha que se dissolver em 2012. São pessoas de excelente caráter e muito
solidárias. Juntos realizamos muito uns pelos outros em 2011. Isso prova que o
mundo não está perdido. Algumas pessoas neste mundo estão, algumas pessoas até
com muito poder neste mundo, estão perdidas. Mas, o mundo inteiro não está.
Dudu saiu e nem queria conversar. Fomos almoçar
num lugar ótimo na R. XV de Novembro, daqueles com buffet de salada super
bonito e variado, e outro de sobremesas, que o Dudu adora!!! Imaginem, depois
de um estresse daquele o quanto o "pobre" comeu de doces! Ele relatou que foi muito bem
orientado pelos estagiários e defensores e que todos estavam abismados com a
queixa dele. Como a Universidade São Marcos chegou neste ponto e ainda sob intervenção?
Como estavam lançando informações imprecisas e confusas pelo site, quando
obviamente por se tratarem de pessoas bem formadas e experientes, sabiam que
nada do que diziam seria possível de ser concretizado e no tempo que prometiam? A orientação foi para que nos juntássemos, aqueles que quisessem, e
entrássemos com uma AÇÃO CAUTELAR DE BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS e OUTRA DE
REPARAÇÃO DE DANOS.
Voltando ao tema da turma, demos uma verdadeira
AULA DE DEMOCRACIA, ao contrário do grupo simpático à comissão formada para resolver o
problema, que não soube respeitar aqueles que não acreditavam que tudo se
resolveria da forma e no prazo que afirmavam. E, infelizmente, isso está se
provando a cada dia. Foi assustador reconhecer que pessoas que estão quase se
formando e atuarão como Psicólogos, não conseguem admitir que alguém pense ou
faça uma leitura dos fatos diferente da deles. Mas, a turma do 2º K não! Esta turma
divergiu e soube se respeitar. Por esta razão, entraram na ação 15 alunos.
Corremos com tudo para entrarmos o mais rápido possível, como orientado pelo
defensor público. E isso ocorreu no dia 16 de janeiro de 2012. Deveria ter
ocorrido na sexta 13, mas confirmando a lenda, Dudu foi assaltado...
Chegando em torno das 7h na defensoria para
entrega dos documentos e novo encontro com o defensor público, desta vez no 3º andar
do prédio, mesmo assim, o representante deveria subir sozinho. Eu, saí pela
liberdade resolvendo minha vida, e demorava... voltava lá e nada. Perto da hora
do almoço, desce o rapaz com a informação que deveríamos ir ao Fórum da região,
ou seja, no Ipiranga. Almoçamos um delicioso lamen feito pelo Dudu, com cara de
macarrão chinês, pois continha pimentões, amendoim e mel, renovamos a energia e
saímos novamente para o Fórum. Chegando lá, tivemos várias surpresas: os
documentos não estavam onde haviam nos informado pelos sites e posts no face.
Era mais um engano. Estavam num galpão judicial e nos informaram que poderia
ser liberado somente por uma Juiza Federal que nem havia sido notificada.
Imaginem a nossa cara! Não tínhamos como reclamar nossos documentos.
A coisa foi mais ou menos assim: Se não
quiserem perder tudo terão que ficar nesta Universidade. Se eles demorarem a
entregar terão que entrar no Ministério Público Federal, através de um
advogado, ou seja, pagando, para que seja expedido um mandado de segurança. Se
forem para outro lugar perderão de 50% a 100% do que cursaram. Imaginem, para
quem já estava insatisfeita como eu, que notícia boa. Imagino que pode ser comparado ao que sente uma mulher grávida traída, enganada e roubada pelo marido,
que necessita continuar dividindo a mesma cama até o nascimento do bebê. A
criança será uma “coisa” e, sempre que a pobre mulher olhar este ser, trará de
volta às lembranças a humilhação vivida.
Quando decidimos entrar com a liminar,
estivemos involuntariamente nas dependências provisórias da Universidade, onde
tramam aqueles que necessitam de um sócio que invista numa razão social manchada, sem sede e com algumas centenas de alunos; das migalhas dos alunos delapidados e do PROUNI. Nesta ocasião, nos foi informado que ficássemos tranquilos pois tinham as informações em
computadores que não haviam sido levados no despejo. Esta semana, quando uma colega lá
esteve para notifica-los, a conversa era a de que tinham back up em pen drives.
Ora! Se tinham ou tem, porque não liberam para os alunos que solicitam a
transferência. Não há resposta nem justificativa para isso!
Eu e Dudu, tentamos
entregar a nossa notificação e nenhum funcionário nem do jurídico quis receber, sendo que não havia ninguém da coordenação de Psicologia no local às 11h. O Dr. André,
nos informou que era impossível nos entregar os documentos em 48h. Mas, no site
da USM está publicado que receberam autorização e liberação dos documentos no
dia 13 de janeiro de 2012 e que levariam de 22 a 48h para organizarem tudo.
Estivemos lá quase 200 h depois e nada!
Eu respondi que então nos restaria o que? Ir à
polícia? Ele respondeu, com ares de desdém, que polícia não resolveria nada neste
caso. Que iríamos perder nosso tempo. É impressionante como uma Universidade ou
o que sobrou dela, tentam desesperadamente segurar um contingente de apenas
2000 alunos e ouvimos esse tipo de coisa: “Se quiser processar terá que entrar
na fila” e “perderão seu tempo pois a polícia não resolve”. Mesmo assim, como
decidimos tratar a situação como aprendizado e, também para incluirmos neste blog informativo, nos
dirigimos à delegacia na R. Dom Luis Lasagna. Ilário! O pessoal super educado e
atencioso, mas como alguns eram colegas nossos, pois estudavam na USM, nos
disseram que se fosse possível resolver por lá, já teriam resolvido o deles e
que, portanto, estavam na “roça” como nós.
Porque não perdemos o nosso tempo:
-Foi a única maneira de sabermos a verdade e
reforçar a certeza de que estão nos iludindo e manipulando “30h”
-Que existem pessoas que realmente desejam nos
ajudar no esclarecimento e resolução dos nosso problemas, e o atendimento do
PROCON e da DEFENSORIA PÚBLICA é muito
bom.
-Confirmamos que a lei brasileira precisa ser
mais dura
-Que a constituição precisa ser atualizada
urgentemente
BREVE CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS. NÃO PERCA!
Um abraço a todos
Gisela Gusmão
Fundação PROCON SP
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SP